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Eficiência energética pode gerar economia de R$ 10 bilhões ao setor industrial até 2050

Eficiência energética pode gerar economia de R$ 10 bilhões ao setor industrial até 2050

A adoção de medidas de eficiência energética pode resultar em uma economia de R$ 10 bilhões para o setor industrial até 2050. Os dados são de dois estudos do Programa PotencializEE, que apoia as pequenas e médias indústrias na implementação de medidas de eficiência energética, e foram apresentados nesta terça-feira (21) no Seminário de Políticas Públicas para Eficiência Energética.

Os levantamentos foram realizados em conjunto com o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

As pesquisas analisaram os gargalos enfrentados pelas empresas — desde a carência de profissionais especializados em eficiência energética até baixa adesão pelas indústrias de sistemas de gestão energética — e apontaram caminhos envolvendo diversos atores, públicos e privados, para melhorar os resultados.

De acordo com um dos estudos, o maior potencial de recuperação de perdas evitáveis de energia está no aquecimento direto e indireto, processos que comumente utilizam caldeiras e fornos. Porém tecnologias como bombas de calor e sistemas solares térmicos podem ser utilizadas para esse fim de maneira mais eficiente.

As soluções propostas focam em incentivos e melhores condições para o uso de tecnologias de cogeração, recuperação de calor desperdiçado, treinamentos, gestão energética e inovação. Também são propostos aperfeiçoamentos do Programa de Eficiência Energética (PEE), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Como melhorar a eficiência energética? 

Com base nos resultados obtidos com o primeiro estudo, foram propostas quatro políticas públicas de eficiência energética térmica na indústria:

  1. Treinamento e educação para criar uma certificação de gestão energética nacional, financeiramente acessível, que permita a formação de líderes que ajudem a orientar, desenvolver e implementar as estratégias de gestão de energia térmica nas suas organizações;
  2. Gestão energética industrial visando criar meios para incentivar as organizações a estabelecerem sistemas de gestão de energia;
  3. Inovação em eficiência energética térmica na indústria, alocando adequadamente recursos humanos e financeiros em projetos que demonstrem originalidade, aplicabilidade, relevância e viabilidade econômica de inovações de processo e produto para melhoria da eficiência energética térmica e a recuperação de calor em processos industriais;
  4. Cogeração e recuperação de calor, cujo objetivo é incentivar a adoção de tecnologias de cogeração distribuída e recuperação de calor residual, promovendo a eficiência energética em pequenas indústrias em todo o território nacional.

Presente no lançamento dos estudos, o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, ressaltou que parcerias entre o setor energético e o industrial, além de iniciativas de apoio internacional, como o PotencializEE, trazem um ganho significativo para a economia e para o meio ambiente como um todo.

Qual o papel da indústria nas metas de descarbonização do Brasil ? Como a indústria pode ajudar?

A indústria é responsável por 32% do consumo energético (térmico e elétrico) do país e em termos de emissões equivalentes a CO2, o setor responde por 18,13% do total de emissões associadas à matriz energética brasileira.  Por isso, o papel da indústria na meta de descarbonização do país é de grande importância.

Segundo a Agência Internacional de Energia, para se alcançar o cenário Net Zero em 2050, as taxas médias de melhoria de eficiência energética nesta década, no mundo, deveriam ser 3 vezes superiores à média das últimas duas décadas.

Precisamos modernizar os instrumentos de governança da política industrial, de modo a ampliar a competitividade das empresas para o enfrentamento da maior concorrência internacional e, assim, criar as condições necessárias ao desenvolvimento sustentável do país

No que se refere à eficiência energética, visando garantir que as indústrias transformem a energia recuperável em energia útil, é necessário construir um arcabouço regulatório para que este setor invista nesse tipo de medida. Daí a importância de apoiarmos a formulação de políticas públicas para incentivar a eficiência energética térmica nas indústrias.

Investimentos em eficiência energética são vistos como custosos, especialmente para pequenas e médias empresas. Como reverter esse obstáculo, tanto do ponto de vista da conscientização dos empresários quanto do ponto de vista financeiro, de tornar o diagnóstico, compra de novos equipamentos e outros ajustes mais acessíveis?

A indústria é responsável por 37% de todo consumo elétrico do país, acarretando desafios adicionais, que estão relacionados com a disponibilidade e ao custo elevado deste insumo energético. Na última década (2010-2020), o valor da tarifa média de eletricidade no país aumentou mais de 50%,  e atualmente é um dos maiores obstáculos ao crescimento e competitividade da indústria. 

Estamos trabalhando para aumentar a participação da indústria nos recursos de eficiência energética junto ao governo. No Programa de Eficiência Energética (PEE) da ANEEL apenas 4% dos recursos foram aplicados (2008-2018) no setor industrial e tecnologias de eficiência energética térmica não são elegíveis.

Com base em experiências com iniciativas pilotos, como o Brasil Mais Produtivo, as medidas de eficiência energética em empresas industriais podem gerar uma economia média nos custos com energia na ordem de 34%. 

Já o Programa Aliança, iniciativa da CNI e Eletrobras, por meio do Procel, e da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), reduz custos e aumenta a eficiência dos processos, além de diminuir a geração de resíduos e a emissão de gases do efeito estufa.

Que tipo de incentivo para ganho de eficiência energética já existe mas nem todos os empresários da indústria sabem? Como podem acessá-los? Como a CNI tem feito para ajudar a disseminar esse conhecimento?

Os custos com energia, insumo primário da indústria, têm aumentado consideravelmente na última década. O maior incentivo à implementação de ações de eficiência energética é o aumento da competitividade industrial, com redução de custos e de emissões de gases do efeito estufa.

Parcerias entre os agentes do setor energético e industrial e iniciativas de apoio internacional como a do PotencializEE, que visam promover a implementação de medidas de eficiência energética de alto impacto nas empresas industriais brasileiras, trazem um ganho significativo para a economia e ao meio ambiente como um todo.

Além do Programa Aliança, que está na sua segunda fase de implementação, a CNI apresentou este ano, no 5º Plano de Aplicação de Recursos (PAR) uma proposta de projeto, que está em avaliação pelo Comitê Gestor de Eficiência Energética, no valor de R$ 50 milhões. A ideia é ampliar a atuação do programa PotencializEE do estado de São Paulo e multiplicar a metodologia em outros pelo menos cinco estados a partir da realização de diagnósticos energéticos industriais e implementação de projetos de eficiência energética em pequenas e médias indústrias, aproveitando, no que couber, a estruturação já realizada no estado de São Paulo.

Programa PotencializEE

O Programa PotencializEE – “Investimentos Transformadores de Eficiência Energética na Indústria”, financiado pela Mitigation Action Facility, tem como objetivo promover a eficiência energética em pequenas e médias empresas industriais do estado de São Paulo, inicialmente. 

A iniciativa faz parte da cooperação Brasil-Alemanha, liderada pelo MME e pelo MDIC, coordenada em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), além de outros parceiros estratégicos como o Desenvolve SP, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e  outros bancos privados.


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